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Saúde • 30/01/2018 - 10:21 • Atualizado em: 30/01/2018 - 16:04

Cuidado com as doenças contraídas durante o Carnaval

As viroses aparecem com mais frequência no carnaval e no verão, quando há maior risco de contágio na ingestão de alimentos ou água contaminada

por Jameson Ramos
Os cuidados têm que ser redobrados nessa época do ano Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

O carnaval e os seus ritmos parecem encantadores aos foliões que fazem questão de brincar os quatro dias de momo, no entanto, devem ficar alertas para as doenças que surgem nessa época do ano, por conta da aglomeração e contato de pessoas, além do esforço ao dançar e acompanhar blocos, muitas vezes em lugares íngremes e irregulares. As ladeiras de Olinda, no seu sobe e desce, podem nem ser notadas no momento em que o corpo está "quente", mas muitas vezes, quando os brincantes chegam em casa, percebem que o corpo está "cobrando" pelos esforços físicos feitos. É por essa questão e por outras, envolvendo o carnaval, que os médicos tentam passar algumas recomendações.

A primeira indicação diz respeito à preparação para encarar a folia. Uma boa hidratação, roupas leves, alimentação saudável e também calçados confortáveis para não prejudicar os membros inferiores e a coluna, são fundamentais. O ortopedista Francisco Couto, diretor médico do Hospital Miguel Arraes (HMA) e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Pernambuco, com quase 20 anos de experiência na área, alerta, primeiramente, para o tipo de calçado que será usado. O ideal para quem vai pular em blocos de rua é um tênis confortável ou sapato sem salto.

“Isso porque o tornozelo e o joelho é que suportam as sobrecargas do corpo, e são locais de frequentes lesões. Exagerar no carnaval, com saltos inadequados no sobe e desce de ladeiras ou no passo do frevo, por exemplo, pode causar instabilidade e provocar lesões dos ligamentos ou dos meniscos”, explica. Outro cuidado importante é com a coluna lombar. Passos de dança e alguns tipos de comidas e bebidas alcoólicas podem sobrecarregar essa região. A orientação é ficar atento aos movimentos bruscos durante o carnaval e preferir uma alimentação mais leve e saudável, que facilita a digestão, evitando infecções alimentares.  

Doença do Beijo

De acordo com a infectologista Cátia Branco, coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HMA, a Mononucleose, também conhecida como Doença do Beijo, é bastante comum na época de carnaval. Transmitida por vírus, atinge geralmente jovens de 15 a 25 anos de idade, provocando febre, dor nas articulações e garganta. Apesar do nome, o beijo não é sua única forma de contágio: a contaminação também se dá por meio de espirro, tosse e saliva em copos, talheres e xícaras.

Os sintomas são semelhantes aos de uma gripe forte ou amigdalite bacteriana. A especialista informa que “a pessoa pode ter febre alta, dor na garganta, secreção nas amígdalas, tosse, fadiga, dor nas articulações e surgimento de gânglios no pescoço, podendo avançar para outras partes do corpo”, detalha. Não há um tratamento específico para a doença. O paciente deve ficar em repouso, se hidratar bem e evitar a automedicação. De acordo com dra. Cátia, só um exame de sangue é capaz de detectar a mononucleose, e o médico vai orientar sobre a medicação. 

Viroses

As viroses aparecem com mais frequência no carnaval e no verão, quando há maior risco de contágio na ingestão de alimentos ou água contaminada. Os sintomas mais comuns são dores de cabeça, mal-estar, cansaço, inflamação na garganta, diarréia e vômito.

O coordenador de Clínica Médica do HMA, Fábio Queiroga, alerta para a importância de procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico: “não é o caso do médico detectar precisamente o vírus que está causando esses sintomas, mas sim ter a certeza que o paciente não apresenta sinais que possam indicar um outro problema, que não apenas uma simples virose”. 

Dentre esses sintomas estão febre alta, amigdalite, diarreia infecciosa, dor abdominal intensa, sinais de desidratação, hipotensão e o período de duração dos sinais. Em alguns casos, quadros de infecções mais graves podem aparecer nos primeiros dias de forma muito parecida com uma virose comum, só vindo a manifestar claramente os sintomas após 48 ou 72 horas, causando complicações como pneumonia e outras infecções associadas.

*Com informação do Hospital Miguel Arraes

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