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Dedicação • 08/02/2019 - 13:55 • Atualizado em: 08/02/2019 - 13:55

Pedro da Silva e a paixão pelo artesanato de Bezerros

Fã do escultor Aleijadinho, artesão do Agreste pernambucano afirma que viver da cultura local proporciona o prazer de trabalhar

por Paulo Uchôa
Pedro Silva, artesão que faz seu trabalho com amor Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

Às margens da BR-232, no KM 107, na cidade de Bezerros, Agreste pernambucano, o ateliê de José Pedro da Silva chama a atenção pela grandiosidade. O espaço criativo do artesão está a todo vapor desde que o ano começou, recebendo encomendas de prefeituras ao redores do município que desejam ter suas peças enfeitando ruas e repartições públicas no período de Carnaval.

Dividindo o trabalho com três colaboradores, Pedro confecciona os pedidos dos clientes como fossem os primeiros da vida, concentrado para que cada detalhe saia do jeito que lhe foi solicitado. Perfeccionista em todas as suas produções, o pernambucano de 55 anos afirma que a paixão pelo artesanato começou quando ele era ainda criança. "A arte está em mim desde pequeno. Ela [arte] é um dom e para isso não tem escola. Eu não tive auxílio de ninguém. Tudo fui descobrindo sozinho", relembrou, em entrevista ao LeiaJá.

Após colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos pela vontade e intuição, Pedro percebeu que Bezerros não estava lhe retribuindo da maneira que havia investido no início da carreira. Pensando em dar uma guinada na vida, ele resolveu deixar a sua terra para arriscar em São Paulo os planos profissionais. O tempo passou, Pedro se adaptou aos novos costumes da capital paulista, mas sempre pensava no que poderia oferecer futuramente para o povo de Bezerros.

Misturando razão e emoção, Pedro sonha em viver de vez da sua arte em Pernambuco. Enquanto a vontade não se concretiza, ele vai dividindo a atenção dos familiares em São Paulo com a tradição popular dos bezerrenses. "Comecei a voltar para cá aos poucos, além de ter a pretensão em morar de vez aqui e fazer as minhas coisas. Quero continuar mostrando a minha arte. Sem ela não existe cultura, e sem cultura nós não somos ninguém", pontua.

Focado também em outras festividades que movimentam o Estado, como o São João, José Pedro não poupa a mente quando o assunto é montar suas peças, independente do material que faz parte da tradicional máscara de Papangu, seja ele em papel machê, poliéster ou argila. O sonho de retornar para a sua cidade natal não tem dia a hora, mas Pedro, fã do escultor mineiro Aleijadinho, acredita que viver da própria arte lhe proporciona revisitar o passado com a certeza de que tudo conquistado até hoje foi consequência da sua dedicação.

Conheça mais um pouco da história de José Pedro:

Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

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